“O xadrez scalabitano ficou mais pobre. Partiu um dos maiores xadrezistas da região, talvez o maior de sempre: Manuel Martinho Lopes
Excessivo? Talvez, mas é o sentimento que fica (que é o que conta), é o sentimento que paira no subconsciente escaquístico neste momento doloroso para todos quantos tiveram a oportunidade de privar um pouco com esta figura do xadrez nacional.
Era uma figura imponente e de voz tonitruante, que via no tabuleiro (em segundos...!) o que parecia impossível aos outros…
É sempre difícil fazer comparações com figuras ainda maiores, mas o seu estilo arrojado, as suas combinações inventivas e geniais, faz-nos pensar que, à nossa escala, seria um pouco de Fischer, um pouco de Tal, um pouco do Alekhine e um pouco de Capablanca…
Lembramo-nos das suas análises, da sua gargalhada cáustica e da forma e estilo como proferia a sentença do destino do jogo…Aliás, quantas vezes ouvimos: "O quê? Jogaste o peão de rei?...´ Tás perdido!!!" A primeira jogada, um simples movimento de peão e a sentença pronta, sem apelo nem agravo! Dotado de humor corrosivo, alavancava os espíritos mais dolentes, envolvendo os demais numa batalha absolutamente fantástica, conferindo ao xadrez scalabitano um carácter único, vibrante, imaginativo, sorridente e festivo. Como se quer.
Manuel António Martinho Lopes estava muito para além do seu tempo. Homem do xadrez e de muitas outras áreas, de cultura invejável. "One of a kind"! Marcou uma geração inteira de xadrezistas, cujo estilo se perpetuou de tal forma que ainda hoje perdura.
Recordamos alguns jogos marcantes, como o que jogou contra o Sérgio Rocha e como na abertura ficou com torre a menos, e como conseguiu dar a volta ao jogo…Sem comentários.
E de tantos outros episódios, recordamos aqui particularmente aquele em que num campeonato por equipas de partidas clássicas, ao fim de meia dúzia de lances (e de minutos) o adversário não tinha lance útil, e o Martinho foi fazendo o jogo durar…durar...durar tanto que acabou praticamente ao mesmo tempo que os restantes jogos dos colegas de equipa. No final do jogo, questionado por que não tinha jogado “este lance” e “aquele lance”, que acabavam imediatamente a partida, encolheu os ombros e, no seu muito peculiar jeito, retorquiu: ”E ficava a fazer o quê o resto do tempo?”...Era Assim o nosso Martinho…
Despedimo-nos de um dos grandes que se junta a outros no Olimpo dos Deuses do xadrez, a que pertence por direito. A ti Manuel Martinho Lopes: P4R!
Adeus e até Sempre…”
Casa do Xadrez de Alpiarça
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RPX 1978 - Manuel Martinho Lopes
Simultânea de xadrez no Museu Distrital, em Santarem - Manuel Martinho Lopes - 1991
Manuel Martinho em 2008-2009
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