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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Faleceu Manuel António Martinho Lopes




in FPX
http://www.fpx.pt/web/nacional/noticias/1536-faleceu-manuel-antonio-martinho-lopes
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Era assim o Martinho Lopes... R.I.P.



Sobre este homem tanto há a dizer.
Algumas ficarão para sempre entre aqueles que mais de perto com ele privaram, outras pode ser que um dia possamos partilhá-las com toda a comunidade xadrezística.
Aqui deixo parte de um texto retirado do blog do Arlindo Vieira (AV) e de sua autoria (espero não ser processado porque não lhe pedi autorização, mas como se vê também o AV tinha em grande apreço o Manuel Martinho.
«Era assim o Martinho Lopes, explosivo, de mar largo, de onda bravia, mas também de um enorme coração, de uma franqueza, de uma simpatia que cativava. Um senhor do Xadrez, um Senhor que nunca mais tive o privilégio de ver, porque ao que parece, depois deste Campeonato Nacional o Martinho Lopes resolveu tirar umas longas férias de dezenas de anos do Xadrez, quando muito poderia ter dado ao xadrez. Talvez aquilo que em tempos escrevi: quem ama muito a coisa amada, por vezes necessita dela desprender-se para melhor a amar, ou no mínimo amar a memória da beleza dela».
E do blog da Casa Do Xadrez Alpiarca um texto respigado do jornal o Ribatejo.
«É uma figura de e em Santarém. Figura repleta de alacridade, contraponto das figuronas cinzentas, nos antípodas dos figurões interesseiros, manhosos e melífluos. Há mais de quarenta anos, depois de chegar à cidade, ouvi no recanto do café Portugal ressoarem formidáveis e escalonadas entonações; eram as gargalhadas do Manel. Abria os braços qual asas de águia em voo picado soltando às garfadas o riso de quem acabava de ganhar demorada partida de xadrez. Recordo o adversário, senhor de rosto severo, de olhar fundo, protegido por óculos de massa. Trabalhava no Governo Civil, jogava em posição Alekine, o Manel qual Capablanca fumava, bebia não mojitos, brandy, rasgava sorrisos, no fim a famosa gargalhada. Tropeçámos um no outro a propósito de livros, leituras, poetas, num repimpado desfile de nomes, por três vezes citei o Doutor Angélico. De chofre crismou-me São Tomás de Aquino para gáudio do ladino Cadima. Fui seu vizinho durante uns meses, fizemos séria amizade, soltei-me da capital do gótico, quando nos vemos repartimos motetos enquanto descreve pormenores pícaros do enfado citadino. Há largos meses encontrei-o no nosso benfeitor Gonçalves Izabelinha, não gostei do visto e observado a corroborar fugaz visão dando a ideia de estar doente. Na semana passada no campo do herói maneta voltámos a cair nos braços de um e do outro, vestia camisa azul bem passada, queixos escanhoados a preceito, olhar levantado, descontada a idade, seria o Manel da época de glabro oficial de cavalaria inventor de especial forma de bater o tacão dos militares do pelotão por ele comandado como um seu camarada me narrou.»...« Nunca irá receber uma medalha de mérito a realçar a sua acção em prol do ensino do xadrez a inúmeros jovens, os zelotas não o permitiriam, mas que a merece, lá isso merece. Admiro-o tal como é, esbracejante a lembrar pássaro louco enamorado, no caso dele montado num cavalo a derrubar torres e prostrar bispos, dando xeque-mate aos mais pintados.»

in Facebook - Pedro Vinagre
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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Adeus e até Sempre... Manuel Martinho Lopes





“O xadrez scalabitano ficou mais pobre. Partiu um dos maiores xadrezistas da região, talvez o maior de sempre: Manuel Martinho Lopes
Excessivo? Talvez, mas é o sentimento que fica (que é o que conta), é o sentimento que paira no subconsciente escaquístico neste momento doloroso para todos quantos tiveram a oportunidade de privar um pouco com esta figura do xadrez nacional.
Era uma figura imponente e de voz tonitruante, que via no tabuleiro (em segundos...!)  o que parecia impossível aos outros…

É sempre difícil fazer comparações com figuras ainda maiores, mas o seu estilo arrojado, as suas combinações inventivas e geniais, faz-nos pensar que, à nossa escala, seria um pouco de Fischer, um pouco de Tal, um pouco do Alekhine e um pouco de Capablanca…

Lembramo-nos das suas análises, da sua gargalhada cáustica e da forma e estilo como proferia a sentença do destino do jogo…Aliás, quantas vezes ouvimos: "O quê? Jogaste o peão de rei?...´ Tás perdido!!!" A primeira jogada, um simples movimento de peão e a sentença pronta, sem apelo nem agravo! Dotado de humor corrosivo, alavancava os espíritos mais dolentes, envolvendo os demais numa batalha absolutamente fantástica, conferindo ao xadrez scalabitano um carácter único, vibrante, imaginativo, sorridente e festivo. Como se quer.
Manuel António Martinho Lopes estava muito para além do seu tempo. Homem do xadrez e de muitas outras áreas, de cultura invejável. "One of a kind"! Marcou uma geração inteira de xadrezistas, cujo estilo se perpetuou de tal forma que ainda hoje perdura.
Recordamos alguns jogos marcantes, como o que jogou contra o Sérgio Rocha e como na abertura ficou com torre a menos, e como conseguiu dar a volta ao jogo…Sem comentários.
E de tantos outros episódios, recordamos aqui particularmente aquele em que num campeonato por equipas de partidas clássicas, ao fim de meia dúzia de lances (e de minutos) o adversário não tinha lance útil, e o Martinho foi fazendo o jogo durar…durar...durar tanto que acabou praticamente ao mesmo tempo que os restantes jogos dos colegas de equipa. No final do jogo, questionado por que não tinha jogado “este lance” e “aquele lance”, que acabavam imediatamente a partida, encolheu os ombros e, no seu muito peculiar jeito, retorquiu: ”E ficava a fazer o quê o resto do tempo?”...Era Assim o nosso Martinho…

Despedimo-nos de um dos grandes que se junta a outros no Olimpo dos Deuses do xadrez, a que pertence por direito. A ti Manuel Martinho Lopes: P4R!

Adeus e até Sempre…”

Casa do Xadrez de Alpiarça
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RPX 1978 - Manuel Martinho Lopes




Simultânea de xadrez no Museu Distritalem Santarem - Manuel Martinho Lopes - 1991





Manuel Martinho em 2008-2009
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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Nota de pesar




A equipa da Casa do Xadrez de Alpiarça envia daqui condolências à família do Carlos.


http://www.fpx.pt/web/comunicacao/noticias/72-destaques/1307-faleceu-carlos-mendes#.WPZuQpCehug.facebook

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Portugal: Vitor Ferreira x Marino Ferreira (R.I.P.)








(foto obtidade um post no fcebook de Marino Ferreira)




A Casa do Xadrez expressa sentidas condolencias à família e amigos do Marino Branco Ferreira .

R.I.P.
 

[Event "POR-ChT2"]
[Site "?"]
[Date "1997.??.??"]
[Round "?"]
[White "Ferreira, Vitor"]
[Black "Ferreira, Marino"]
[ECO "B07"]

[Result "0-1"]

1. e4 d6 2. d4 g6 3. Nc3 Bg7 4. Bc4 Nc6 5. Nge2 Nf6 6. O-O e5 7. d5 Ne7 8. Bg5 h6 9. Bd2 c6 10. dxc6 bxc6 11. Qe1 O-O 12. Rd1 Qc7 13. Bc1 d5 14. exd5 cxd5 15. Bxd5 Nexd5 16. Nxd5 Nxd5 17. Rxd5 Qxc2 18. Rd2 Qc6 19. Nc3 Ba6 20. Ne2 h5 21. Qd1 Rac8 22. Re1 Bb7 23. f3 e4 24. fxe4 Qc5+ 25. Kh1 Bxe4 26. Ng3 Bb7 27. Rd7 Qc6 28. Ne4 Rfe8 29. Rxb7 Qxb7 30. Nd6 Rxe1+ 31. Qxe1 Qe7

0-1



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Não me apetece... Homenagem a eles dois.





Não me tem apetecido fazer posts... nem a mim, nem a mais ninguém por aqui.

Num mês morreram dois amigos meus... Nossos.  Amigos da maioria do pessoal do Xadrez de Santarém e arredores.

Foram a seu tempo jogadores pelo Grupo de Xadrez de Santarém.

Partiram cedo demais. Muito cedo demais.

Ainda penso neles.... muitas vezes.... e como a vida não vale nada... e passa num instante !

Mesmo sem os ver muitas vezes. Mesmo sem falar com eles há já algum tempo. 

Também não é preciso...  Amigos são amigos... 
 
Enfim... 

Não me apetece dizer mais nada.

Até qualquer dia Rafael Manique e Ricardo Lopes ("Nixon", para os amigos) !

Aqui fica a minha e a homenagem de todos nós, que vos conhecíamos, da Casa do Xadrez de Alpiarça...


sexta-feira, 20 de maio de 2016

Dragan Paunovic




O GM Dragan Paunovic, que por diversas várias vezes jogou provas em Portugal, morreu. Paz à sua alma.

Condolências da Casa do Xadrez de Alpiarça à sua família e amigos. 

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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Joaquim Durão (1930-2015)



O Mestre Internacional Joaquim Durão deixou-nos hoje aos 84 anos.

Até sempre Mestre!

A Casa do Xadrez de Alpiarça e todos os seus sócios deixam aqui, desta forma,  os mais sinceros pêsames à sua família e amigos.

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domingo, 1 de março de 2015

Até sempre Mr. Spock








Como muitos dos sócios e simpatizantes deste nosso clube de xadrez são também "Trekkies"  , não podíamos deixar de fazer aqui a nossa homenagem a este senhor incontornável do Star Trek .

Que descanse em paz !

Live long and prosper, Mr. Leonard Nimoy  !



... e quem não se lembra do chess set tri-dimensional jogado tantas vezes a borda da USS Enterprise por Mr. Spock ?















Aqui fica... em jeito de homenagem e respeito.

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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Faleceu o MN Júlio Godinho




Bom dia,

É com pesar que informamos do falecimento do nosso amigo, Júlio Godinho, MN do Entroncamento aos 53 anos de idade. Apesar de se ter afastado nos últimos dois anos, xadrezisticamente jogou nos últimos anos em Torres Novas.

http://xadrez64.com/jogador/J%C3%BAlio_Godinho

Tendo sido um dos expoentes distritais da modalidade nos anos 80 e principio da década de noventa, desta altura, por falta de registos não possuímos muitas partidas nem fotos deste jogador de estilo clássico e aguerrido.

Segue uma partida do MN Júlio Godinho, jogada já na fase final da sua passagem no xadrez.
Endereçamos à família e amigos o nosso sentimento de profundo pesar.



--
por: CineClube TN - Xadrez


A Casa do Xadrez de Alpiarça quer também deixar aqui os seus votos de pesar à familia e amigos.  Muitos de nós jogámos com ele diversas vezes, em diversos anos.


[Event "Portugal chT2"]
[Site "?"]
[Date "1998.??.??"]
[Round "?"]
[White "Júlio Godinho"]
[Black "Eduardo Casimiro"]
[Result "1-0"]
[WhiteELO "?"]
[BlackELO "?"]

1. e4 c5 2. Nf3 g6 3. d4 Bg7 4. c3 Qc7 5. Be2 d6 6. O-O Nd7 7. Be3 Ngf6 8.
Nbd2 O-O 9. h3 b6 10. Bd3 e6 11. Rc1 Bb7 12. Qc2 Rac8 13. Qb1 Qb8 14. Bf4 Nh5
15. Bh2 f5 16. exf5 exf5 17. Bc4+ Kh8 18. Be6 Rcd8 19. Ng5 Bh6 20. f4 Ndf6
21. Nf7+ Rxf7 22. Bxf7 Qa8 23. Rf2 Ne4 24. Nxe4 Bxe4 25. Qa1 Kg7 26. Bb3 g5
27. fxg5 Bxg5 28. Re1 Bh4 29. Qc1 h6 30. g3 Nxg3 31. Qf4 Nh1 32. Qxh4 Nxf2
33. Kxf2 1-0


domingo, 8 de dezembro de 2013

Eu sou o senhor de meu destino e capitão de minha alma...







"Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma". É difícil mensurar quantas vezes esses versos foram repetidos na literatura, no cinema ou em discursos inspiradores.

Mais de um século após ser escrito, o poema "Invictus", do britânico William Ernest Henley continua fascinando e influenciando pessoas em todo o mundo. Certamente, Henley, o mais velho de seis filhos, não imaginou que tanto tempo depois suas palavras - escritas em 1875 - inspirariam um personagem importante da história não só da África, mas mundial: Nelson Mandela.

Quando aprisionado em Robben Island, onde cumpria pena de trabalhos forçados, o líder sul-africano, símbolo da luta contra o Apartheid, encontrou nas palavras de Henley a esperança e a força necessárias para manter-se vivo. Mandela conta que toda vez que começava a esmorecer, lia e relia o texto, em busca de um "companheiro" para a dor. O professor de literatura inglesa Marion Hoctor, em entrevista a CNN, explicou que o poema representa o humanismo secular, o espírito da época vitoriana, a ascensão de Darwin e as ciências como um desafio ao pensamento tradicional e criacionismo.

"Invictus" é a inspiração para o filme homônimo, de Clint Eastwood. Em outro momento de protagonismo, os versos do inglês foram as últimas palavras de Timothy McVeigh, soldado americano condenado à morte por ataque terrorista que deixou 168 mortos na cidade de Oklahoma, Estados Unidos.

Leia a íntegra em inglês e a tradução.

Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishment the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

Invictus

Dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado a lado
Agradeço aos deuses que existem
por minha alma indomável

Sob as garras cruéis das circunstâncias
eu não tremo e nem me desespero
Sob os duros golpes do acaso
Minha cabeça sangra, mas continua erguida

Mais além deste lugar de lágrimas e ira,
Jazem os horrores da sombra.
Mas a ameaça dos anos,
Me encontra e me encontrará, sem medo.

Não importa quão estreito o portão
Quão repletade castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino
Eu sou o capitão de minha alma.





terça-feira, 11 de setembro de 2012

Morreu o Mestre Nacional Rui Nascimento.

 


Morreu no passado dia 4 de Setembro o Mestre Nacional Rui Nascimento.

Para além de xadrezista foi também problemista de grande mérito, com reconhecimento internacional.
Homem de cultura, os seus interesses abrangeram a literatura, a música e o xadrez.

Era o mais velho Mestre Nacional vivo.
Agora passou a ser o meu pai.

O funeral teve a presença de apenas 8 ou 9 pessoas, entre as quais o meu pai.

A comunidade xadrezística pura e simplesmente esteve ausente, talvez por desconhecimento, pelo menos quero acreditar nisso.

Abaixo transcrevo apenas excertos da Wikipedia a seu respeito, donde sublinho a seguinte informação:

No ano 2000, recebeu o título de Mestre Honorário de Composição em Xadrez (Honorary Master of Chess Composition) concedido pela FIDE.

--

Rui de Carvalho Nascimento (Setúbal, 14 de Junho de 1914) é um xadrezista e problemista de xadrez português.
Filho de Josué do Nascimento, funcionário da Câmara Municipal de Setúbal e de Maria José Ferreira de Carvalho Nascimento, doméstica, completou o 5º ano (actual 9º) no Liceu de Bocage, em 1929.
Aprendeu a jogar xadrez com o seu professor de matemática, Álvaro Sequeira Ribeiro e, em 1937, congregando diversos praticantes de bom nível, fundou o Grupo de Xadrez de Setúbal, com sede no Café Nicola, em Setúbal.
Enquanto jovem, foram alvo do seu interesse diversos géneros de actividades culturais, interesses que têm perdurado pela sua vida fora. Estudou música e violino, tendo integrado o coral Orfeão Cetóbriga e orquestras por este organizadas. Escreveu poesia e teatro, tendo levado à cena, em1940, com o seu irmão mais velho Mário Nascimento, jornalista e pintor-cenógrafo, na Sociedade Filarmónica "Os Loureiros" (Palmela) a revista De Vento em Popa. Foi ainda autor de mais duas peças de teatro - Filtro de Amor e Cobras e Lagartos. Em 1941, ganhou três primeiros prémios e várias menções honrosas nos Jogos Florais de Setúbal.
Seria, no entanto, como xadrezista que mais se notabilizaria, tendo-se dedicado, desde muito cedo, aos Problemas de Xadrez, uma especialidade diversa do aspecto lúdico convencional.
Actualmente com 94 anos, completados em Junho de 2008, continua ainda activo na composição de problemas de xadrez, sendo o decano, ainda em actividade, nesta arte, e internacionalmente conhecido como "The Nonagery".

Actividades no campo do problema de xadrez


Recebendo o 1º Prémio do Campeonato Bancário de Xadrez (1957)

O livro "Problemas de Xadrez" (1986), única obra sobre este tema de um autor português
Um dos raros especialistas mundiais de problemas "figurativos" ou "simbólicos", Rui Nascimento dedicou trabalhos do género a inúmeras personalidades como Paganini, Einstein, Papa João Paulo II, Maria de Lurdes Pintasilgo, Infante D. Henrique e Damião de Odemira, boticário, autor do 1º Tratado de Xadrez conhecido, publicado em Roma em 1512.
Inventou um tema baseado em mates múltiplos a que deu o nome de Margarida, em memória de sua filha mais velha, falecida com 25 anos de idade em acidente de viação no Brasil, em 1972. Com este tema dirigiu um concurso internacional da Revista Portuguesa de Xadrez, em 1977, que recebeu setenta e cinco trabalhos, desde a Índia ao Brasil.
Foi, também, juiz em concursos internacionais, como o "Meredith" da Federação Portuguesa de Xadrez (1987), o Concurso Nacional de Soluções (1987) ou o Concurso de Competição em "Toto-Xadrez", modalidade por si inventada, em 1995. Entre as diversas composições de que é autor, RCN destacou-se dentro da "Heterodoxia", sendo a mais notável uma, constituída num tabuleiro de casas normais, com quatro cm de lado, mas cuja diagonal é do comprimento do diâmetro do Universo. Noutras composições, estas "Ortodoxas", concorreu a torneios internacionais, vencendo o Jubileu Grande-Mestre D. António Argüelles SEPA–Espanha (1992, Recomendação Especial Cabala, o Concurso Internacional Sherlock Holmes de The Problemist (1992, 2ª Menção Honrosa), o Concurso Internacional GAMA I, instituído pelo seu companheiro no Problemismo, Gabriel Mariz Graça, obtendo em 1993, 1º Prémio; 1995, 1ª Menção Honrosa e 1996, 1º Prémio.
Manteve, desde o nº 1 do jornal diário Correio da Manhã (1979), uma secção diária de resolução de problemas, até que a 31 de Dezembro de 1991 convidou outro xadrezista, entendendo ser necessário dar lugar aos novos talentos. RCN fez parte dos corpos directivos do Grupo de Xadrez de Setúbal, do Grupo de Xadrez de Lisboa, do Grupo de Xadrez Alekhine e da Federação Portuguesa de Xadrez e representou Portugal no congresso da FIDE Permanent Commission for Chess Composition, que teve lugar em Alicante e Benidorm (Espanha), em 1990.
RCN dirigiu ainda a Revista Portuguesa de Xadrez, o Boletim do Grupo de Xadrez Alekhine e a Revista Xeque-Mate, tendo colaborado de forma dispersa em jornais como O SetubalenseDiário de LisboaGrande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, e os britânicos The Problemist e The Independent.

Principais obras publicadas

Autor de diversos livros sobre problemáticas do xadrez, as suas publicações incluem o livro Problemas de Xadrez (1986, Europa-América), sobre História, Antologia e Técnica,Problemas de Xadrez II (1995, edição poligrafada), em que completa a antologia da actividade problemística portuguesa, Alekhine – O Último Segredo (2003, ed. poligrafada), onde descreve a sua convivência com o Mestre russo Alekhine quando este se refugiou no Estoril nos anos 1940, e Cartapácio de Figurativos (2006, ed. poligrafada). Neste último, existem, entre outros, oitenta e oito problemas figurando as constelações celestes. O seu trabalho mais recente foi uma série de Problemas Heterodoxos Figurativos, contendo dois Reis pretos.
O xadrezista e amigo Mário Silva Araújo, publicou em 1998 o livro "Rui de Carvalho Nascimento - Uma Vida Dedicada ao Xadrez", onde se pode ler a seguinte frase "O conhecimento do Problemismo em Portugal divide-se em dois períodos: pré-Nascimento e pós-Nascimento."

Participações em torneios e prémios obtidos


Na sua homenagem em 1988
  • Em 1937 ganhou ex-aequo, o Concurso de Soluções da Revista Portuguesa de Xadrez e começou logo a compor e a publicar trabalhos próprios, tendo obtido, em 1945, a 1ª Menção Honrosa – Prémio Nacional no concurso internacional de composição da revista Stadium (Lisboa), conquistando a categoria de Mestre da Federação Portuguesa de Xadrez.
  • Em 1941 fixa-se em Lisboa, depois de ter ganho diversos torneios internos no clube que fundara. No III Torneio de Verão do Grupo de Xadrez de Lisboa, veio a classificar-se em 3º lugar com os mesmos pontos do vencedor.
  • Em 1942, foi 4º no campeonato do Grupo de Xadrez de Lisboa, obtendo a 1ª categoria; 5º no IV Torneio de Verão e 4º/6º no campeonato da capital.
  • Em 1943 e 1944, joga os II e III encontros Lisboa-Porto, ganhando as três partidas disputadas e, ainda em 1944, é 1º ex-aequono Torneio Principal de Lisboa e 10º no Torneio de Mestres. Um ano depois, ganha a 1ª e 2ª fases e termina em 5º/6º na final do Torneio da Associação de Xadrez do Sul, adquirindo também o título de Mestre da Federação Portuguesa de Xadrez, ao concluir em 7º posto no respectivo torneio. Integrado na equipa do Sport Lisboa e Benfica é campeão de Lisboa, e em jogos internacionais é seleccionado para os I e II Portugal-Espanha e match Léon-Lisboa, registando globalmente duas vitórias, dois empates e duas derrotas.
  • Em 1946, ganhou ainda o 1º Prémio do concurso da Federação Britânica de Xadrez através de um problema elaborado em colaboração com o inglês Gerald Anderson, que então vivia em Lisboa.
  • Em 1947, nasce sua primeira filha, Margarida, a qual viria a falecer aos 25 anos num acidente de viação, quando passava férias no Brasil.
  • Em 1949, foi distinguido com o Prémio de Originalidade do Stratford Express. Por razão da doença e falecimento de sua primeira esposa Albertina Fernandes, esteve uns anos afastado das competições, regressando em 1952 com um triunfo na Taça Dr. Damas Mora.
  • Em 1953, é 5º na Taça Estoril e, em 1954, 3º na Taça Dr. Damas Mora. Todas estas competições reuniam bastantes dos melhores jogadores do tempo.
  • Em 1956 casa de novo, com Carlota Carapeta, professora no Colégio Valsassina. No ano seguinte, nasce sua segunda filha, Leonor.
  • Nesse mesmo ano, 1957, ganhou o Campeonato Bancário de Xadrez, individualmente e por equipas, em representação do então Banco da Agricultura, no qual era Director do Serviço de Títulos.
  • Entre 1984 e 1985 teve composições premiadas nos concursos do Boletim DCE-Brasil. Desde há bastantes anos que é a primeira autoridade portuguesa na especialidade problemística, tendo sido juiz em concursos de composição como Portugal-Espanha (1947), A Bola (1948) e Festival Iberoamericano-Brasil (1985).
  • Em Fevereiro de 1988, foi homenageado com uma festa xadrezística, nas Caldas da Rainha, pelo Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas.
  • Em 1996 ganha o Concurso Internacional GAMA-96, instituído pelo seu amigo o problemista Gabriel Mariz Graça.
  • Em 1997, fundou a Tertúlia Damião de Odemira, constituída pelos Mestres de Xadrez: Gabriel Mariz Graça, José Vinagre, Vasco Santos, falecido em Janeiro de 2006, Mário Silva Araújo, Pedro Silva Araújo, Dagoberto Markl, M.I. Joaquim Durão e António Pedro Vinagre. A Tertúlia não se dedica exclusivamente ao Xadrez, mas nela se pode falar de qualquer tema cultural, artístico, literário ou científico. Publicou também o respectivo Boletim durante 40 números. O tertuliano Mário Silva Araújo dedicou a Damião o livro "Damiano, o Português e a sua Obra" (ed. poligrafada).
  • No ano 2000, recebeu o título de Mestre Honorário de Composição em Xadrez (Honorary Master of Chess Composition) concedido pela FIDE.


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A Casa do Xadrez de Alpiarça apresenta assim sentidas condolências à sua família e amigos.



por Pedro Vinagre