casadoxadrezkabab@gmail.com...............................Coordenadas GPS: Latitude: N39º15'43,4" . Longitude: W8º34'56,7"
Blog optimizado para o navegador (web browser) Google Chrome.
Mostrar mensagens com a etiqueta 7ze. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 7ze. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Escandaloso!



Portugal não apresenta equipa de futebol nos Jogos da Lusofonia 2014, a decorrer em Goa, no final deste mês?

Ver notícia no Times of India 

Teríamos todo o interesse em utilizar o potencial e visibilidade do nosso futebol, como embaixador do país na Ásia. Mas Portugal não vai estar presente, alegadamente para os jogadores não incorrerem em riscos de paludismo! Julgo que Portugal não se apercebeu bem da janela de oportunidade que lhe lançou a União Indiana. A insensibilidade e incompetência no Palácio das Necessidades são atordoantes. 

Cabo Verde também não vai a Goa defender o título; mas o Brasil já confirmou a sua presença. 

Gostaria de fazer um apelo aos jogadores de futebol de Angola, Cabo Verde, Portugal e Guiné-Bissau, para mandarem à fava as razões comerciais e insistirem, por sua iniciativa, em participar neste encontro pluricontinental, dando um exemplo identitário de convivência multi-racial. É escandaloso que falem tanto da Lusofonia e de Futebol, com a morte de Eusébio, mas desperdicem oportunidades de ouro para comungar desse espírito. 

Mosca 7ZE apela a CR7 para se envolver pessoalmente na Lusofonia! Ou vai simplesmente desistir, com medo de um mosquito?

PS: A FPX bem podia aproveitar a boleia da UI, organizar um evento paralelo e cravar as viagens, o xadrez está na moda, na Índia: a Índia tem um trauma com o desporto, a única medalha que aquele populoso país alguma vez conquistou nos Jogos Olímpicos, foi um miserável Bronze: o rácio de medalhas per capita deve ser um milhão de vezes inferior a Cuba! Daí a importância, para o ego dos indianos, do Anand e do xadrez. Lembro, a este propósito, que o Grupo de Xadrez de Santarém tem «fortes ligações» ao xadrez indiano.


by Mosca 7ZE

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

José Fernando no Xantarim em Santarém


De um jogador da Casa do Xadrez de Alpiarça, que não se dedica só ao Xadrez... 

Aqui fica o resumo deste evento que vai realizar, conforme descrito no blog '7ze'.





 Vou estar todas as Quintas de Fevereiro a Maio, no Xantarim, a partir das 22h30, para uma dupla exposição: uma exposição oral sobre a vida de figuras célebres acompanhadas da exposição visual do respectivo aerógrafo. Por isso dei este duplo título à «performance». 

Isto acompanhado de um sorteio, no qual o primeiro prémio é um magnífico objecto filatélico de colecção (sobrescrito de primeiro dia), o segundo uma tela (16x16cm), ambos alusivos ao personagem homenageado, e o terceiro uma bebida de pressão. 

Colocarei depois no blog (http://7ze.blogspot.pt/ ) um breve resumo do personagem da semana. 

Há fotografias na página do Xantarim no FaceBook. Todos os meses terão cartaz próprio. 

Este mês de Fevereiro, ainda em cartaz:

14 Agostinho da Silva

21 Amílcar Cabral

28 Nelson Mandela


O primeiro a ser apresentado, Quinta-Feira 7 de Fevereiro, foi Sir Winston Churchill. Escolhi-o pela sua rebeldia e tenacidade.... 
 (continuação em http://7ze.blogspot.pt/ )


Estão todos convidados a aparecerem por lá !

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Chovem dólares!



Quero partilhar convosco uma dica para o Forex. Parece que agora o bode expiatório para a crise são os «short sellers»... Eu nunca achei muita piada a estes aprendizes de feiticeiro (ou melhor, de cambista), jogadores inveterados que, munidos de uma grande alavanca (e expostos a um grande risco), volatilizam o mercado para uma desmesurada dimensão financeira e «mental», numa especulação desenfreada sem quaisquer contrapartidas económicas reais em trocas comerciais. Mas não é esta uma das consequências da comunicação imediata que tanto gabámos? Deveríamos talvez agradecer-lhes, pois, segundo a teoria económica mais liberal, reduzem a incerteza dos mercados, actualizam instantaneamente expectativas que antes se podiam manter latentes por muito tempo dando origem a correcções bruscas de grande amplitude.

O actual Presidente dos Estados Unidos, politicamente encurralado e em fim de carreira, pretende agora fugir para a frente. Para fazer face à crise, nada mais fácil que ligar a impressora. Num gesto maravilhoso, prepara-se para fazer um novo Plano Marshall para a Europa: inundá-la com dólares, salvando a banca, toda rota. Sim, assim sem mais nem menos; tudo o que precisarmos. Estaremos no dealbar de uma nova era de crescimento sem precedentes? Segundo os seus conselheiros, isso vai criar imensas oportunidades para os seus empresários e criar o emprego que a sua economia precisa, para poder ganhar as próximas eleições. Que cenário idílico. Bucólico, mesmo. Parece que estou a ver o quadro, com florzinhas e borboletas a esvoaçar.

Perdoem o deslize para a ironia: a mim parece-me que há gente que não se enxerga. São esses especuladores, agora tão criticados, que se vão encarregar de responder ao senhor presidente. O dólar está a 1,37 agora, que estou a escrever. Desafio-vos, para os leigos no Forex, a verificarem, no fim desta semana, e da seguinte, a resposta antecipada dos especuladores a esta proposta de novo New Deal. Em Outubro os bancos poderão aceder a estas linhas de crédito em dólares indiscriminadas; em Novembro e em Dezembro repetem a dose. Para o ano logo se vê.


Para quem tem Forex, já sabe o que fazer (e não sejam glutões, que vai haver grandes flutuações, nada de grandes alavancagens nem do abominado short selling, isto tem de ser à semana); para quem tem acesso a futuros, o limite é a sua imaginação, com encadeamentos regulares. Aceitam-se apostas:

1,50$/€?

1,60$/€?



P.S. Todas as tentativas da actual administração americana para criar emprego têm caído rapidamente em saco roto. Porque é que haveríamos de acreditar que esses dólares vão permitir comprar alguma coisa de útil, se a América está em crise e já pouco sabe produzir? Se distribuissem yuans ou yenes ainda me punha na fila, assim parece-me que não vale a pena. Faz-me lembrar aquele célebre album dos Taxi que vinha numa lata. «Cidade internacional, joga-se o Xadrez mundial». Basta substituir Cairo por NY.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O fim da «ciência»

Este domingo, a revista Nature Structural & Molecular Biology publicou uma notícia espantosa. Tinham pedido a alguns cientistas para traduzirem para um jogo, uma questão científica com a qual lidavam há mais de uma década, sem soluções à vista.




O jogo traduzia o estado da questão e continha as ferramentas para fazer simulações. Não passava de uma «simples brincadeira», mas eis que alguns leigos, sem qualquer preparação científica especial, apenas munidos da sua curiosidade e espírito lúdico, desvendaram o mistério em apenas três semanas. Investiguem!



Eis um bom exemplo de como muita coisa está a correr mal no mundo moderno! Preparamos especialistas, gente que passa uma vida a estudar um fragmento de saber, no qual é supostamente muito bom... Mas como pode ser muito bom, se não percebe nada do resto, se não sabe relacionar as coisas? Os vícios do pensamento cartesiano e positivista emergem claramente!



Na escola: porque insistimos em tentar produzir robots? Porque continuamos a encarar a educação como um acumular de conhecimentos soltos, como a memorização de factos isolados, a mecanização de fórmulas, sem qualquer ligação com a vida? É apostar na mediania de coisa nenhuma.



Esta mentalidade está claramente desactualizada. Os tempos da produção em série, da taylorização, nos quais o desafio era desapropriar o operário do poder sobre o seu trabalho, tornando-o facilmente substituível, acabaram! Hoje já temos robots que fazem tudo.


Já não precisamos de operários obedientes, que não pensem, não façam greves, não adiram ao Partido Comunista... Essa mentalidade já deu aso a duas guerras mundiais de matanças em série... Obedecer cegamente a ordens, não pensar, não possuir uma mundivisão alargada e actualizada, é claramente promover o pensamento genocida e intolerante.


Precisamos é de ideias novas, outras maneiras de ver as coisas, criatividade, sensibilidade, gente que saiba pensar num fim e executar, gente que saiba utilizar bem o computador, percebendo como funcionam as coisas...

...Enfim, soluções para o mundo. A brincar, a brincar... Eureka. Aquilo que os computadores mais potentes (com os seus programadores) ainda não tinham conseguido. No xadrez já tínhamos visto isto... Por isso considero que isto é um bom sinal, que nos deve fazer reflectir em como voltar a dar ao mundo uma certa unidade: está visto que partir tudo às postas, como o fez Descartes, está fora de moda!


domingo, 1 de maio de 2011

Crónica de uma sanha anunciada

http://3.bp.blogspot.com/-V0-CGug7Rbw/TarfvgD8d_I/AAAAAAAAAUA/ztyLS1VUWhY/s1600/Editorial_Noticias.jpg


Finalmente concretizei o que me prometi há 3 anos, com o Manifesto Anti-Niza.

http://7ze.blogspot.com/2008/06/manifesto-anti-niza.html Bem sei que neste país a mentira, por muito descarada que seja, ganhou foros de lugar comum, apostando-se cada vez mais na memória curta do vulgar cidadão. Infelizmente para alguns, talvez, há verdades que considero inquestionáveis, que fazem parte da minha história e da minha identidade, das quais não poderia abdicar sem colocar em causa a minha dignidade. Aqui fica o relatório dos factos. Ontem, dia 16 de Abril, pelas 21h30, dirigi-me à Escola Prática de Cavalaria para um Colóquio sobre as senhas de Abril, com o Coronel Correia Bernardo (a Lusa difundiu o erro de lhe chamar «Bernardes»), Otelo Saraiva de Carvalho, Paulo de Carvalho, Joaquim Furtado e José Niza. Esperei pelo fim da conversa para pedir educadamente a palavra ao moderador, Joaquim Furtado, agitando o livro dos depoimentos de Salgueiro Maia, que ele obviamente conhecia, pois acabara de o citar. No entanto, após breve consulta ao organizador do evento, ao seu lado esquerdo, José Niza, «esqueceu-se» do pedido. Marchei pois em direcção ao palco, pois não estava disposto a deixar escapar a oportunidade. Face a uma tentativa de interposição do Joaquim Furtado, declarei que o 25 de Abril tinha sido feito a favor da liberdade de expressão e que o evento fora apresentado como Colóquio e não como Solilóquio. O Joaquim Furtado, por quem, aliás, tenho o máximo respeito como jornalista (bastar-me-ia lembrar os programas sobre a Guerra Colonial), ainda balbuciou algo como «não estarem previstas intervenções» e «tinha de começar o concerto». Face à debilidade da oposição, tomo-a por uma autorização, subo o degrau para o palco e sinto que alguém me agarra o braço: era José Niza que me convidava «a ir falar lá para fora»; sacudi-o veementemente. Eu fora ali para uma reparação pública e não para um duelo. Adquirido o direito de me dirigir à assistência, deixo aqui de memória o essencial do meu discurso, daquilo que me lembro de ter dito em alta voz, sempre virado para o visado:

«Há 3 anos, por ocasião das Comemorações do 25 de Abril, o jornal Mirante, cuja sede é aqui bem perto, publicou um livro de poesia de José Niza, que foi amplamente distribuído com o Semanário Expresso. O destaque de capa inteira ía para uma entrevista a José Niza, dando por título «Salgueiro Maia quis entregar 150 G3 na sede do PS em Santarém.» referindo-se ao dia 24 de Novembro de 1975.Infelizmente, Salgueiro Maia já cá não está para o contradizer. No entanto, tenho aqui as suas memórias, escritas pelo seu punho, das quais um excerto, páginas 86 a 87, acaba de ser citado por Joaquim Furtado. Passo a citar Salgueiro Maia, nesse mesmo livro, página 110: Num almoço com o coordenador da acção do 25 de Novembro, concordei em actuar nas condições referidas, tendo por especial preocupação evitar a distribuição de armas a civis, até para evitar uma guerra civil. _Sr. José Niza: a sua entrevista correspondeu a um momento menos feliz da sua carreira, compreensível no âmbito de uma saúde comprometida. Aproveito o ensejo de estar aqui presente nestas comemorações para lhe manifestar a minha indignação e lhe pedir humildemente para se retractar em público. Deve-o à história»

Um elemento da assistência levantou-se então com «maus modos» a dizer que lhe estava a adiar o concerto, pelo que abandonei a sala, infelizmente sem agradecer à audiência a atenção que tinha solicitado e recolhido. Desde já as minhas sinceras desculpas a todos os presentes, bem como o meu obrigado pela salva de palmas à qual a causa que julgo justa e soube apresentar teve direito. De dar que pensar ao Senhor José Niza.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A subjectividade do valor

Olá a todos os frequentadores do blog. O Miguel continua a lembrar-me as obrigações assumidas e a solicitar colaborações aqui, nem que a título pontual. Cá vai portanto. Por causa da ideia da filatelia (selos e xadrez) como motivo gerador deste meu cronicar (alguém que esteja a ler em voz alta ainda pensam que é asneira), lembrei-me de vos escrever uma crónica com base numa conversa que tive com o Gamelas.


Durante muitos anos, o Gamelas, por causa da sua queda para o xadrez, coleccionou selos de xadrez, chegando a ter uma avença com o negociante em filatelia SSS (de quem o Manuel Martinho, néofito nestas andanças, também é actualmente cliente), Sérgio Sousa Simões, das Caldas da Rainha, para receber as novidades em selos do mundo inteiro relacionados com a temática do xadrez; naquela altura considerava o dinheiro que gastava por gosto, também como um investimento; actualmente, o Luís Frazão segue-lhe os passos, ainda há pouco tempo o vi no Sr. Joaquim, no Largo Padre Chiquito, onde aos quartos sábados de cada mês se realiza uma feira de antiguidades e coleccionismo, a adquirir uma carta circulada relacionada com este tema.



Comentei com o Gamelas que o «valor» dos selos de colecção tinha também sofrido um rude golpe com a crise, embora já tenham sido considerados como valores de refúgio. Por exemplo: agora que estou a escrever esta crónica 17h30, fui ao Ebay, um site de leilões, escolhi a categoria «Stamps» e fiz uma pesquisa por xadrez. Ordenando por «ending soonest», os próximos a fechar, obtive uma peça dos primórdios da temática, que, nos tempos «fortes» valeria sempre para cima de 5 a 10 euros. Com dois licitadores, a peça nem sequer tinha atingido o dólar, ou seja, fica por menos de oitenta cêntimos!


Tecemos depois vários comentários sobre a subjectividade do valor… fizemos uma analogia com o mercado imobiliário: tal como nos selos, há uma espécie de valor de catálogo; só que, se a pressão fica do lado da oferta (por efeito dominó dos muitos deficits acumulados em todo o sistema), o preço baixa, com tendência agravante muito para baixo da barreira do seu «valor», devendo ser multiplicados os factores que se prendem com a «confiança» em torno do conceito. O dinheiro encarece... ou as coisas baixam? Por outro lado, a considerar o tempo como factor, nunca o dinheiro esteve tão barato! Que aparentes contradições. Por isso, se tiverem poupanças, não as entreguem aos bancos! Façam-se mercadores da pechincha, façam negócios da China!

P.S. Mas não pensem que todas as temáticas estão pela hora da morte. Tal como tudo, depende de modas. Que o diga o António Curado, que investiu bem, porque acertou na onda: Aves de Rapina!
.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Há 30 anos...

.

Era o Ano Internacional da Criança. Os anos acabados em 9 são anos de esperança. Esperança rima com criança. Nesse longínquo ano de 1979, todas as crianças já tinham nascido depois de o homem ir à lua, o que ocorrera dez anos antes.

Depois de uma viagem ao interior da Guiné-Bissau, agravaram-se as minhas dúvidas quanto à história de Pandora: esta, como é sabido, violou as recomendações para não abrir a sua caixa, espalhando o mal pelo mundo; no entanto, ao voltar a fechar a caixa, para tentar remediar o irremediável, ainda teria conseguido conservar uma virtude, precisamente a esperança.

Duvido que muitas coisas tenham melhorado, entre essa geração e a actual, nas três décadas que separam pai e filho. Pensando bem: de que serve ir à lua, todos os avanços tecnológicos dos últimos tempos? Nos países «desenvolvidos» grassa uma crise sem precedentes, ameaçando o próprio sistema. Não é uma crise clássica de «superprodução», é pior: é uma crise do desperdício de valor, da capacidade não utilizada, do desemprego, da desvalorização do homem, como criador de valor e como consumidor responsável.

Com tanta capacidade de produção, é o problema da solvabilidade da maior parte da população mundial que se coloca: as necessidades são imensas; com a novidade de franjas cada vez maiores de população, nos países «desenvolvidos», também se verem marginalizadas e desvalorizadas. Impossível continuar a enganar o sistema com «crédito ao consumo»; este é um problema estrutural, que já Ford previra, afirmando que era necessário «dar» dinheiro às pessoas para lhes conseguir vender os produtos... ele próprio dando o exemplo e pagando várias vezes o salário médio aos seus empregados.

Há pois que repensar os conceitos de dinheiro e de valor: comprei, numa viagem recente à Guiné-Bissau, um banquinho «portátil» (tem uma pega), em madeira maçiça, talhado à catana, pelo preço de um café em Portugal. No entanto, o produto manufacturado estava perfeitamente equilibrado (e foi-me de grande utilidade no aeroporto, enquanto esperava o embarque): era um presente e a pessoa a quem se destinava adorou e fez-lhe uma grande festa.

O problema reside em o valor ser reconhecido apenas pelo dinheiro, porque todos temos algo a oferecer à sociedade, todos conseguimos tornar-nos de alguma utilidade: mas haverá dinheiro para nos pagar? Será que as crianças daqui a outros 30 anos terão maiores razões de esperança?

«A esperança é a última a morrer»! Vivam as crianças!


by 7zé
.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Visita à Guiné-Bissau

Selos emitidos pelo Governo Provisório da Junta Militar, em 2001

Esta deveria ser uma crónica sobre xadrez. Quando, há oito anos, visitei a Guiné, na sequência de uma guerra de libertação face a um ocupante estrangeiro, pude encontrar, em chão fula, jogadores da modalidade em plena prática; no entanto, desta vez, não tive a mesma sorte. No entanto, o animador deste blog encomendou mesmo assim (insistentemente, claro) uma «reportagem». Inquirido sobre se não seria melhor continuar a «encher chouriço» (a nossa fórmula de filatelia / xadrez) respondeu que aqui o pessoal tem «fome» dessas particularidades em primeira mão. Sem a qualidade do National Geographic, aqui vai pois a reportagem possível, acompanhada de um pedido de indulgência aos leitores, e da promessa de retomarmos a «verdadeira crónica» para a semana…


Ora bem. Isto vai ser um folheto promocional: é que fiz uma viagem inesquecível, e já que o Miguel me dá a oportunidade de a partilhar aqui, na Casa do Xadrez, vou esforçar-me por «vender» este destino… o Sul da Guiné-Bissau. Julgavam então que os operadores turísticos já tinham descoberto tudo? Pois a Guiné-Bissau não tem nada a ver com aquilo que as televisões nos apresentam: é um país pobre, decerto, em que as infra-estruturas básicas não funcionam, mas de gente pacífica e acolhedora, o destino ideal para quem não queira cair no «Fast Food» turístico: aqui não entraram turistas e tudo é perfeitamente genuíno; a única coisa estranha é a cor da nossa pele (dos esbranquiçados, manifestamente desadaptados à textura local), propícia a assustar as criancinhas…

Vi uma grande alegria nas crianças, independentemente do seu brinquedo... Venham a Bissau e recuperem um pouco da vossa inocência perdida.



















Para ver onde é a Guiné-Bissau



Reunam mais três amigos, para serem quatro; apanhem o avião da TAP para Bissau (há três voos semanais e custa cerca de 700 euros); contactem comigo para terem alguém à vossa espera, para facilitar as «formalidades» do desembarque… evitarão assim a chatice de vos cravarem «sumo» (dinheiro); poderão reservar um apartamento (40 euros / 4 = 10€) no Centro de Formação em Hotelaria de Quelélé (para visitarem Bissau - prever três dias); contratem o Casimiro como motorista para a ida ao Sul (100€ / 4 = 25€; não se esqueçam de incluir no «pacote» uma arca térmica portátil e de prever a saída de noite, para poupar na dormida) e abasteçam-se com 4 barras de gelo (10€ / 4 = 2,5€); 4 caixas de 24 Super Bock XL (em lata ou em garrafa, a cerca de 20€ cada uma); reservem um Bungalow grande no Complexo de Jemberém (40 euros / 4 = 10€)… Peguem em 1000 euros cada um e façam-se à aventura!
Quanto à comida, não sejam esquisitos: em Bissau vão à Santa Rosa Cubana comer dois frangos assados por 10 euros (a dividir por quatro = 2,5€), comer uma bifana no Baiana com uma cerveja (4€), ao Restaurante Libanês (Tawouk no pão por 2€ ou, se preferirem, no prato, com salada, pelo mesmo preço, mais 1€ para uma lata de 33cl de sumo de goiaba), ou deixem-se de preconceitos e vão ao Mercado de Bandim (comer um prato de cuscus com carne por menos de 1€); em Jemberém, no Sul, negoceiem a feitura de um prato delicioso: «Galinha di terra com caldo de mancarra», e comprem peixe delicioso (ventanas, bagri, barbo; bica; ou bicudo – o nosso espadarte) para assar… a menos de 1€ o Kg!







Para ver o percurso efectuado, sobre carta militar portuguesa:











Em Jemberém contratem o Domingos, para vos servir de guia: não se esqueçam de visitar o aquartelamento de guerrilheiros do PAIGC (comandado por Osvaldo Vieira, cuja fama deu o nome ao aeroporto), no meio do mato cerrado, em pleno «tarrafe» (ladeados por braços de mar); aqui os fuzileiros sofreram uma derrota importante, ao tentarem tomar de assalto o aquartelamento pelo lado do rio (foram detectados, sem o saberem, e envolvidos). Encostados ao monumento estão alguns estilhaços grandes de uma bomba de Napalm utilizada pela Força Aérea, granadas e um ferrugento lançador de RPG7 (os cabeçudos). Passem pelo famoso «Corredor de Guiledge», utilizado pelo PAIGC para abastecer toda a sua estrutura a partir da Guiné Conakri, e sintam o «frisson» do que seriam as dificuldades por que passaram os nossos soldados na Guerra Colonial. Em princípio deve sobrar-vos dinheiros para as lembranças, muito em conta; não se esqueçam de levar uma camisa africana ou uns calções chapa-chapa (feitos de recortes, com os restos de tecidos)!
Deixem-me falar-vos de uma iniciativa recente e julgo que sem precedentes, que decorreu precisamente aqui perto de Jemberém, em Guiledge, em Março deste ano, onde se juntaram, à mesma mesa, combatentes de ambos lados, inimigos há 40 anos, mas hoje confraternizando e respeitando-se mutuamente. Que belo exemplo para o mundo. Amílcar Cabral, o mais famoso líder africano, (que esteve a estudar em Portugal, onde passou pela Escola Agrícola de Santarém) sempre disse que a sua luta não era contra o Povo Português, mas sim contra o Regime Colonialista. O facto é que foram bons tanto de um lado como de outro: o soldado português, tenaz e resistente, aguentou quanto pôde uma situação militar insustentável, em cenário adverso e, muitas vezes, sobretudo na parte final do conflito, com material bélico inferior; os guerrilheiros do PAIGC, os únicos que ganharam realmente uma guerra de libertação, em África! A experiência adquirida voltou a revelar-se útil um quarto de século mais tarde, quando foi preciso expulsar um invasor estrangeiro (o Senegal) apoiado pela França. Não deixem de visitar a página do Simpósio de Guiledje http://www.adbissau.org/guiledje/ ou deixem-se impressionar pelo blog Luís Graça & Camaradas da Guiné http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/, com relatos emocionantes, e a verdadeira história (a dos homens) a fazer-se, quatro décadas depois…


Fazendo a ligação com as crónicas anteriores (Alice no País das Maravilhas), deixem-me apresentar-vos Mariazinha em África, escrito por Fernanda de Castro em 1925. Contava então 25 anos aquela que viria a ser mulher de António Ferro e mãe de António Quadros. A jovem vivera a sua infância em África e, decerto, lera Alice: essas influências conjuntas manifestam-se no colorido e fantástico país que Mariazinha, embarcada em Lisboa, vai encontrar na Guiné... essencial, tal como o Tintin no Congo, para quem queira perceber a mentalidade colonial; como a Anita aqui e acolá, veicula o mito do conformismo feminino relativamente ao estereótipo (seja ele sexista ou colon ial)… No entanto, os traços de exotismo e de profunda alegria, mereceram que o livro fosse recentemente reeditado pelo Círculo de Leitores.

















Tal como a Mariazinha, eu, invejoso, também quis andar de piroga, contra as recomendações do guia (águas infestadas de tubarões), peguei num pescador e aluguei uma piroga (quaisquer 2€ são suficientes)… para fazer inveja aos meus amigos cá em Portugal; o desembarque, fi-lo de pé!













Depois fomos cumprimentar um velho combatente do PAIGC residente na zona desde a altura da guerra. Lá assámos o peixe e os caranguejos, que comemos com molho feito de limão e malaguetas, feito no pilão pelo Domingos... de comer e chorar por mais!











Tomei banho com as crianças, e bebi chá verde oferecido pelos pescadores
com eles descobri que faziam chá com um aroma muito parecido com o da cidreira, mas oriundo de uma planta local, com uma «configuração» completamente diferente! Mas que era bom à farta, lá isso era; o Casimiro (que conduziu a cabine dupla que nos transportou) levou uma estaca para tentar plantar em Bissau.






O Bungalow onde ficámos, o «Búfalo»,


eu na piscina com o Casimiro e o Honório e por trás a esplanada onde tomávamos as refeições...







com a macacada a saltar por cima, em plena liberdade, três espécies diferentes de macacos a fazerem um grande algazarra!

Vejam também a crónica da Guiné no meu blog!









Para além da diversidade, deixem-me agora falar-vos de diferenças. A visita é pedagógica, nem que seja para nos darmos conta do grau de dependência em que nos encontramos perante as facilidades que nos concede a civilização. O que cá em Portugal damos por adquirido, coisas simples, como água na torneira e luz nos fios, são, na Guiné, uma miragem. Tive de reaprender o «escuro» e de ir buscar água para me lavar. Excepto alguns enclaves, servidos por geradores particulares, é a escuridão total; em Jemberém,por exemplo, a água canalizada é um luxo que se deve ao depósito alimentado a electro-bomba, o resto da população retira água dos poços… Nesta povoação, existem meia dúzia de televisões (número exacto), se bem que haja um número substancialmente maior de espectadores (mais de 100 por posto, precisam de se afastar uns 15 metros para que todos possam ver). Mas Jemberém tem algo em que é pioneira em África: tem TV Local (chama-se TV Massar, emite duas horas por dia para um raio de 40Km), que trata dos assuntos que mais afligem as populações locais, e dão voz aos mais velhos. Aqui se trava uma batalha pelo desenvolvimento.

A Guiné-Bissau é uma terra abençoada, pela qualidade dos seus filhos e daqueles que por ela se interessam! Estou a pensar em Honório Barreto, filho do chão (indígena) e governador da Guiné da primeira metade do século XIX, nomeado por Sá da Bandeira; Fernanda de Castro, única mulher entre os fundadores da Sociedade Portuguesa de Autores; Amílcar Cabral, o génio africano; Carmelita Pires, actual Ministra da Justiça, a mover um combate sem piedade ao tráfico de droga que ameaça o renome internacional da Guiné-Bissau, tráfico que se instalou ao mais alto nível do Estado; e o Pepito, engenheiro que se formou em Portugal, a quem se devem muitas acções em prol do desenvolvimento da Guiné-Bissau, que tenho a honra de ter por amigo.

Termino com o slogan do PAIGC para esta campanha, que traduzem os meus maiores desejos e votos para a República da Guiné-Bissau, estabilidade e legitimidade, consignadas em «Guiné Na Ranka», ou seja «A Guiné vai arrancar». Esperemos que possam arrancar de mãos livres, sem amarras, sem lastros antigos, no caminho do verdadeiro desenvolvimento, da economia real, com ideias novas, gente séria e sem preconceitos! Mantenhas (cumprimento)

.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Conto de fadas III


De Bissau, com atraso e cumprimentos, a terceira e última crónica carrolliana.

Escreve Lewis Carroll em Do outro lado do espelho:

«Criança de fronte sem nuvens, olhos cheios de sonhos e encantos, apesar do tempo veloz e de estarmos separados por meia vida, tu e eu, teu amoroso sorriso decerto acolherá a prenda de amor de um conto de fadas.»

Fala, claro, de Alice. Mas é mais que isso. Se repararem bem é uma defesa dos contos de fadas, no seu contributo para o desenvolvimento da criança, e da responsabilidade dos adultos, para, com o seu amor, as ajudarem a franquear as portas da sua identidade…

Mas o que é um conto de fadas? Uma história de encantar, em que tudo é simples, e adaptado ao universo da criança: os maus sãos maus, os bons são bons; a criança tende a perceber que a vida tem chatices, mas que é possível vencê-las, como o(a) herói(oína), que, supostamente fracos (como a criança) conseguem vencer adversários mais fortes.

Os contos de fadas têm de ser contados, com emoção… se forem lidos de forma fria, não surtirão efeito. Ao contrário do pendor moralista das fábulas, nos contos de fadas não é apontado qualquer modelo de comportamento: funciona por identificação; a história ajuda a criança a perceber que os seus conflitos interiores são naturais e podem ser resolvidos…

Aproximadamente aquilo que representavam os mitos, para os antigos gregos (em idade adulta, claro): modelos de «opções» que se ofereciam à identidade dos homens e mulheres. No entanto, com a substancial diferença de os mitos serem essencialmente pessimistas, ao contrário dos contos de fadas, sempre optimistas pelo seu final. O aspecto grandioso do mito e o carácter semi-divino dos heróis colocam-nos num patamar de identificação impossível de alcançar para o comum dos mortais, e muito menos para as crianças.

Já a ideia do conto de fadas é precisamente o contrário: personagens são apresentados como pessoas normais, regra geral sem nome, ficando assim ao alcance da criança; o final feliz, ao contrário da tragédia que encerra o mito, permite captar a atenção e contem a promessa de um futuro desenvolvimento identitário equilibrado… a coroação como adulto a pleno título, com um sentido para a sua vida, já Do outro lado do espelho.

Mas voltemos à nossa partida de xadrez. Que dizer do duplo do cavalo vermelho ao Rei e à Rainha? Se estes forem marido e mulher… Reparem ainda que é no próprio acto da «coroação» que Alice dá mate. Já sugeri que uma leitura possível é a de as vermelhas poderem representar a inércia do sistema, o status quo do etablishment; no entanto, múltiplas leituras são possíveis e quero apresentar mais uma, a de o Rei Vermelho representar a criança que é preciso «matar» para aceder à idade adulta, ao (se tudo correr bem) substituirmos o princípio do prazer pelo da realidade; quando o mundo perde magia, e… surgem as «nuvens na fronte».
.

sábado, 15 de novembro de 2008

«Al-Kasaba: a última cidadela» - A Casa do Xadrez critica...

.
Fomos ver ! Fomos ver ! «Al-Kasaba: a última cidadela» (click para ver a introdução)

Desde já ficam muitas das imagens deste evento cinematográfico...


























Claro está que a Casa do Xadrez se fez acompanhar com muitos membros e ao seu mais alto nível. Éramos muitos principalmente.

Antes, foi o reunir como é hábito, ao jantar, por volta das 20h00m. Não foi no nosso restaurante de eleição em Alpiarça porque, como o Teatro era em Santarém, optámos - por uma questão de tempo e logística - por ficar em Santarém mesmo.








Chegámos ao Teatro Sá da Bandeira como estipulado, por volta das 21h30m. Após validação dos nossos convites, entrámos.

O ambiente já estava "composto". Muita gente de muitas idades. Dos 22 aos 70 anos. Uns conversavam e reviviam velhos amigos, outros simplesmente sentados ao balcão, observavam...


Haviam vários grupos de diferentes estratos sociais espalhados pelo pequeno espaço do café do Teatro. Um ambiente onde se respirava cultura, respeito e expectativas quanto à peça.
Tinha "enredo" para agradar a todos - gregos e troianos...

A peça começou a "rodar" por volta das 22h00m e acabou por volta das 23h00m. Seguiu-se um debate de ideias e criticas de como torna-la mais interessante, já que se tratava de uma ante-estreia.
Eu acho que foi muito boa.

Precisa de pequenas afinações para a estreia oficial ao público em geral, dia 18 de Dezembro, mas tem muito potencial. As criticas foram ouvidas, assentes pela Produção e Realização e penso que serão e estarão corrigidas a tempo de estreia !



Não quero "abrir o véu" - como se costuma dizer - mas trata-se de um documentário da história de Portugal e de Santarém em particular muito, muito interessante. Onde cidades e vilas tomaram aspectos fulcrais na história que eu nem sabia !
E Santarém ?... Bem... a importância que esta cidade teve. Pode mesmo dizer-se que foi a "capital" de Portugal e seu último reduto durante muitos anos e por várias vezes ! Incrível...


Nota: Isto é puro cinema amador. Não esperem milagres !

Venham ver. Vai valer a pena!

O preço ? Não sei... mas nunca será caro. 5 euros ?!


.